Friday, November 12, 2010

Obscuro amor - Um quadro com um anjo


O anjo sangra pendurado junto ao relógio da catedral. A noite se avizinha. É a noite de Natal mas ninguém adora o anjo que abandona a luz e se precipita no abismo da mortalidade. O ex-divino ser geme pelo seu corpo ensanguentado e mal tapado por um farrapo. As correntes, presas a dois arcobotantes enrolam o lamento do anjo que cai como a escuridão. Trinam as lamúriase suam as lágrimas dos seus olhos. Os meus olhos presenciam o seu olhar de inocente mergulhado no mundo onde há muito não habita.
Os meus olhos, e apenas os meus presenciam tudo isto sentado como um bandido com os braços tatuados pelos meus pecados escrito no mais satânico dialecto. Nas costas se esboçam caracteres hebraicos de um cabalístico texto e do meu coração jorra sangue para o meu ventre cheio de furor sexual puro sem sentimento. É a marca da ferida eterna da minha mortalidade. Quem presenciou o meu crime foras as estáticas e assustadas gárgulas que pretendiam gritar sob o seu pétreo olhar esbugalhado com os seus corpos a querer sair da pedra e as bocas procuram gritar o assassínio - ou suicídio - e o ritual sanguíneo escrito no mais puro latim em hemácias de um amor não presente, mas quem sabe, talvez, futuro.

Tuesday, November 02, 2010

Gelados e Ginásios no GayChoice de hoje

Sei que tenho andado meio desaparecido... Um pequeno problema de saúde colocou-me uns quantos dias na cama nos momentos que andava fora do trabalho e o regime alimentar que tive de seguir à risca impediu que andasse com ideias para andar a divulgar por este blog fora. Ora bem, cá estou eu de novo, fresco e fofo como o pão que anuncia na televisão... ou mais.
Uma das coisas que fiquei muito desagradado com o ter andado doente foi o facto de não poder deslocar-me ao ginásio para fazer todo aquele conjunto de exercício para explodir a minha carga de testosterona e lembrar que ainda não tenho aquele músculo como quero e aquele outro está a ficar lindo. Pois, os problemas gastro-intestinais dão para isso, uma fraqueza geral, comida quase sem sabor e muito pouco apetite fizeram que em poucos dias perdesse um poucoxinho do meu peso. Um dia com estas coisas desapareço.
De qualquer maneira retomei os meus dias de ginásio esta semana que passou com grande alegria e também com grande alegria vimos nestes dias o orçamento de estado ser aprovado e todos os contribuintes portugueses que lêem este blog virem a pagar mais pelo que cada vez menos vão ganhar... é da crise, dizem uns...
Voltando ao ginásio que é por lá que quero começar. Para muita gente que vejo frequentar aquelas máquinas, o trabalho de esculpir e trabalhar cada miócito (é o nome das células musculares) e tendão, as horas gastas a correr e levantar pesos, é um conjunto de exercícios que se querem para reduzir o peso que se tem a mais. Para muitos outros é o trabalhar para aumentar o peso sob a forma de massa muscular até limites quase sobre-humanos. A verdade é que se cria um espírito de companheirismo no ginásio que de certo modo facilita o "vício do ginásio" que se costuma falar. Para outros as idas ao ginásio é uma forma de passar o tempo a olhar para os corpos que se queria ter.
Em alturas do Renascimento, Miguel Ângelo esculpiu uma estátua enorme num bloco de mármore que outros artistas haviam rejeitado e criou um dos símbolos da estrutura perfeita para muita gente do corpo masculino. Símbolo da escultura do renascimento, David é considerada também o ideal de corpo que muita gente gostaria de ter e o rapazito que queríamos guardar numa prateleira e ter sempre à mão.
Para algumas pessoas, no entanto, estas linhas corporais não chegam e preferem mais um estilo à Hulk ou Conan onde cada músculo é como se fosse um balão que se quer bem cheio. Nestes casos, os adeptos passam por uma viciação não apenas nas idas ao ginásio, como também no consumo de substâncias que aumentam os tecidos musculares... cada um suas preferências. Eu por mim prefiro continuar os meus exercícios malucos para trepar, escalar, torcer-me... muita gente olha admirada para coisas que faço no ginásio, mas que posso eu fazer... É o meu treino!

Uma coisa que todos gostamos, que os ginásios odeiam (falo como se o ginásio fosse uma pessoa que nos advertisse) e as nossas barrigas a crescer também, é dos gelados. Agora que começa o tempo frio, começa para mim a altura do ano que mais me apetece comer gelados... Falando deles e do bom que sabe comer um bem acompanhado junto a uma fogueira e com a televisão a passar um bom filme, refiro que uma marca de gelados considerou que os que produzem são concebidos de forma imaculada, como o Deus-Menino, ainda para mais estamos a aproximar-nos do Natal. Deste modo criou uma campanha publicitária que eu achei interessante e retrata uma freira grávida e dois padres a beijarem-se. As três figuras têm na mão um gelado que saboreiam de modo divinal.


Como será mais que natural, o organismo que gere a publicidade no U.K. considerou que a campanha publicitária incentivava reacções anti-católicas. Eu pergunto-me porquê? Expliquem-me como se fosse muito louro. No seu tempo o David também provocou muita polémica pelo facto de estar nu mas isso não deixou de se tornar um ícone que muita gente adora e muitas máquinas fotográficas capturam. Que os gelados sejam a nossa religião, e sejam concebidos imaculadamente e os ginásios os nossos jenoflexórios onde cumprimos as nossas penas capitais...
Resta-me lembrar que passou o Halloween e com ele estive mais o Jack que todos nós apreciamos.

Com ele me despeço e até ao próximo GayChoice

Wednesday, October 06, 2010

Obscuro amor - Um quadro algo poético


Agarro uma pena que caiu. A pena suave tem o toque da seda e transmite um hiperbólico respeito caloroso. Ontem choveram penas junto a mim. Todas elas eram brancas e sedosas. E todas elas vinham de asas majestosas. Asas de alguém que amei e não escondi e, de tanto desejar, o desejo incerto da outra parte se fez cair na face real do mundo. A goma que unia as penas brancas e sedosas caiu no chão como sangue divino a escoar a imortalidade do ser que amo. Eu prendi com correntes que o sol não há-de ver, os braços daquele que amo e fiz que os rios da essência divina escorressem qual porco pendurado a sangrar. A sua cara tinha o abatimento do sofrimento e a alegria do final no penoso caminho. Hoje vejo bem, mais valia a esse anjo fazer como os navegadores de Ulisses e não ouvir o meu canto para não ter de sofrer as amarguras e a fragilidade de um amor tão curto, tão efémero.

Monday, October 04, 2010

Pink Washing - vamos lavar a roupa suja


Pode parecer que me vou dispor a falar de algum produto para lavagem de roupa. Até poderia falar, mas o assunto não é para pensar rosa e esquecer as nódoas; ou melhor, até pode ser mas não no contexto de roupa. Assim sendo vou iniciar a minha explanação falando mesmo de detergentes.
Todos somos diariamente confrontados com anúncios violentos de marcas de detergentes em que um faz aquilo, outro faz isto, outro é mais barato e tão bom como os outros,... a escolha num supermercado é sempre complicada e os anúncios televisivos massacram os nossos olhos. Detergentes e mais detergentes. Restos de uma civilização que serão depositados nos rios, nos lagos, nos mares. Mas não é sobre ambiente que vou falar.
Em Abril deste ano aconteceu que em São Francisco no âmbito do Jewish Film Festival, foi apresentada uma série de filmes israelitas para o Mês do Orgulho Judeu (afinal não são só os gays que têm Prides...) e que a maior parte dos mesmos se centrava na temática homossexual em Israel. A verdade é que a maior parte destes filmes terem sido apoiados pelo governo israelita.
Um caso idêntico se passou no Festival Queer de Lisboa, onde o grande patrocinador do evento foi a Embaixada de Israel. Durante o evento houve quem se manifestasse, mas toda a manifestação foi como que "branqueada" e não publicadas opiniões sobre o assunto.
O termo "pink washing" aparece então associado a estes dois eventos. Israel, como a única "democracia" do Médio Oriente, são ideologicamente gay-friendly, defensores dos direitos das mulheres, assim como não são fundamentalistas islâmicos. O que acontece é que, além de o estado de Israel pertencer ao Médio Oriente com uma cultura não igual aos estereótipo ocidentais, se entra numa espécie de armadilha. Israel promove a aceitação das diferenças e promove a aceitação de pessoas perseguidas, mas de modo hipócrita.
Cada um de nós em Portugal, nos dias em que se comemora a implantação da república, somos aceites enquanto gays por todo o país e não teremos (falo a nível geral) cidades onde não nos aceitam por sermos quem somos. Se formos Palestinianos, teremos de sair de uma cidade para outra de modo a sermos mais aceites, pois na cidade onde estamos não podemos viver as nossas vidas de forma digna.
No Festival Queer, a propósito dos financiamentos pela embaixada, vários realizadores retiraram os seus filmes do festival como forma de mostrar o seu desacordo por um festival que deve ter em conta os Direitos Humanos ter aceite o magnífico Bolo de Chocolate oferecido por esta entidade.
E qual o fim desta lavagem? Muito simples. Lavar nódoas, camuflar o que está mal e mostrar que são "defensores" dos Direitos Humanos. Numa opinião de um membro de organização israelita, "Israel está abençoado com uma extremamente vibrante comunidade LGBT".
Tenhamos em atenção que neste país decorre uma guerra que opõe duas raças e que no caso da forma de actuação da fracção israelita, as coisas não têm seguido muito as "normas éticas" de tratamento de um país democrático. Fica a chamada de atenção.

Os maiores cumprimentos GayChoice

Saturday, October 02, 2010

Uma escolha musical - Trip Hop

Para quem aprecie este tipo de música fica uma sugestão...

Tricky - Aftermath esta música encontra-se no álbum de estreia de Tricky, álbum que inaugura este género musical.


8MM - Give It Up


Massive Attack - Teardrop lamento mas não posso meter o vídeo original


Bel Canto - Birds of Passage um outro registo que se aproxima de Enya com um ritmo que se aproxima de disco e um tom etéreo


Portished - Numb a minha primeira conversão ao trip hop


Zero 7 - Distractions


UNKLE - In a State por sugestão de amigo


Smoke City - Underwater Love mistura-se com o jazz


DJ Shadow - Six Days


Frou Frou - Let Go não sei se é o vídeo oficial mas gostei...


Fica o GayChoice de hoje.

Friday, October 01, 2010

Obscuro amor - Poema sobre um amor proibido


vem espírito em mim
mostra as minhas mãos fechadas
com o coração do mundo a bater
vem até mim
coberto com mantos de seda negra
e perfume de almíscar selvagem
e ventre liso onde te beijo

vem espírito selvagem
trazer-me toda a fúria e ardor
e inflamar a minha pele do teu chicotear
assim como amo os teus gemidos.
vem até mim espírito
mergulhar as fortes emoções
de um beco escuro
de uma corda ou de um nó
vem até este momento
espírito futuro
saborear o que tenho a dar-te
vem espírito indomável
que calçarei as luvas de cabedal
e trarei a mota potente para que a puxes
com a tua força colossal
vem armado em animal doméstico
e eu te darei uma trela negra
para um alão dos infernos fazer de ti
uivando na noite escura
te despirei de todos os andrajos
os rasgarei a todos em pedaços
amarro-te ao poste
soldar-te-ei à minha vontade suprema
e te deitarei em pêlo
no lombo do veículo.

vem deixar-te controlar pelo meu riso
pelo bater da chibata
e o ranger dos dentes
tu que és um espírito com dono
que mais que tudo és forte
como uma barragem
e eu cruel como Némesis
e mesmo sem amor compreendido
nos vemos em portas feitas e fechadas
à nossa vontade dual comum
tu e eu somos espíritos malignos
que só vêem à luz do dia
quando a morte escura é suprema mansão
e a dor mais pura a mais refinada sensação.

Friday, September 17, 2010

Há coisas que não se percebem em Portugal... Isso não é novidade nenhuma. Se as pessoas no resto da Europa tendem a fazer uma coisa nós, para sermos, digamos, originais, fazemos o contrário. Como gosto de verificar notícias um pouco de tudo hoje chamou-me a atenção uma notícia relacionada com a economia. Se na Europa as vendas de automóveis em Agosto caem 12%, nós. portugueses, cuja dívida nacional aumenta a cada dia, aumentamos as vendas para compensar a redução. Para muita gente a situação de crise está instalada, para outros não se nota muito... Há quem se indigne com isto.

Eu não me admiro muito uma vez que em Portugal há interesse em que o maior número de carros sejam adquiridos pelo vulgar cidadão. E para facilitar as coisas vá que há estacionamentos em plena Lisboa (uns a pagar e outros gratuitos) para grande número, há créditos de automóveis para que até as pessoas que não têm dinheiro para comprar um carro o possam "comprar" ao longo da vida. Depois vêem os seguros, as multas de estacionamento, os preços do gasóleo e gasolina a subirem cada vez mais, a necessidade de imposto ambiental, todo um conjunto de situações que aumentam em muito a despesa de um veículo além da gasolina numa grande cidade.

Estamos na altura do ano em que decorrem os dias sem carros, mas os transportes públicos são tão deficientes e a dificuldade em entrar na cidade de Lisboa não são nenhumas, pelo que se pode ir de carro a nosso belo prazer mesmo nestes dias. Eu como um gay português que se preze, não tenho carro, mas tenho carta, ao contrário de muitos... são opções de vida. Eu, por mim ao adquirir um veículo continuo a preferir comprar uma mota a comprar um carro - prefiro a sensação de velocidade.

Falando de opções e escolhas, falo de uma escolha que desde sempre tem feito milagres como tem feito as maiores obscenidades: falo de religiões. E vou falar, para não variar, da cristã. O papa está em visita histórica a Reino Unido até Domingo e esta visita tem bastante de interessante tanto para o lado positivo, como para o lado negativo.

Sua Santidade indicou que a Igreja não tem estado vigilante em relação aos crimes de abusos sexuais realizados por membros do clero. Eu me questiono se não estarão vigilantes por estarem ocupados em acções escaldantes, ou se não estão vigilantes por ser uma daquelas situações que não se querem ver. As denúncias relativas a abusos sexuais por parte de membros do clero são antigas... bem antigas e apenas há menos de um ano foi reconhecida a pedofilia como um crime contra os direitos da humanidade. Demorou...


Bento XVI afirmou que a crença religiosa é uma "garantia de autêntica liberdade e respeito" esta afirmação pode ter o seu Q de discutível, mas não vou meter mais achas nesta fogueira. Esta figura pública, como vendedor de crença que se preste está numa visita que está a procurar aproximar católicos e protestantes por uma visita histórica à abadia de Westminster pretende com isso arranjar um aliado para uma nova guerra religiosa? Pode-se pensar que isto é algo descabido, mas notemos que os ateus foram correlacionados com os nazis, aspecto que pode muito bem desencadear uma nova des-Cruzada contra os fiéis devotos de Roma. Este papa realmente... começo a pensar que é uma pessoa interessante de seguir o seu percurso tendo em conta a história de vida e a acusação que está a fazer...


Se por um lado o homem vestido de branco se associa à tolerância pelas outras religiões, por outro acha intolerante a ausência de crença em Deus... Um pouco antitésico, não? A verdade é que a visita não está ausente de custos e os mesmos têm de ser comportados. Em Portugal, como de costume, suportámos todas as despesas com fundos do estado para inclusivamente ser feito um altar sem mais préstimo. No Reino Unido decidiram as entidades cobrar bilhetes aos fiéis e outras pessoas que queiram assistir à missa celebrada por esta celebridade. São opções... Houve que comparasse a visita a uma tournée de Lady Gaga. Não que esteja muito distante, convenhamos que em Alexandro a senhora até se veste de freira e tudo, de vermelho é verdade, mas freira de terço nas mãos. Rezemos para que tudo corra bem com a gravidez de Penélope Cruz que continua a trabalhar no Piratas das Caraíbas 4... Esperemos que o seu filho não venha a este mundo para ser mais um maluco...

Ok.. já falei mal demais

It's a GayChoice de hoje

Tuesday, September 14, 2010

GayChoice.anti-deuspatriafamilia.pt

Não pretendo fazer publicidade a nenhum site por mim criado, ou promover mais uma campanha, mas acima de tudo reforçar o meu espírito contra três coisas que incutiram há tantos anos nas nossas cabecinhas e que até agora continuamos a tê-las presentes.
Há uns artigos atrás referi que ainda nos dias de hoje a frase se continua a aplicar pois temos muitas pessoas que continuam a ir a Fátima pelo menos uma vez por ano - a crise não permite mais. Temos a selecção nacional que após o grande impulso do euro 2004 é o símbolo da nossa pátria e temos a família que continua a ser o motivo pelo qual muita gente continua com as suas cabecinhas agarradas a pensamentos impeditivos de progresso da sociedade.
Não vou falar muito de Deus. Da Pátria muito menos. Hoje fico-me pela família, esse símbolo carnal de união permitida pela igreja entre duas pessoas de sexos diferentes para que as mesmas tenham uma descendência que possa alargar os horizontes do povo de Deus. Justamente por causa da família, da constituição da mesma e sua definição muitas associações em Portugal têm feito trabalhos (cuja importância não vou falar) para desmistificar este mito. Há uns bons anos era bonito ver um pai e uma mãe com os seus filhinhos a passear, mãos dadas e para sempre felizes. Esta é a forma visível de felicidade que todos anseavam. O celibato e profissão de padre, era algo que não era tão desejável para a maioria. Esta fotografia, tão bem enquadrada para a época, começou a mudar.

Primeiro as mulheres quiseram começar a ter direitos, pois os tempos estavam difíceis e elas também tinham de trabalhar tanto ou mais que os maridos. Assim sendo o ser feminino começou a deixar de ter tanto tempo disponível para as crianças. As mesmas tiveram de se amanhar. Resultado: para muitos a juventude começou a meter-se em vícios cada vez mais cedo e a tornar-se mais desordeira, mais exigente para os pais. O paizinho e a mãezinha, como não os querem ouvir, dão-lhes tudo o que querem. Depois admiram-se que os miúdos não saibam o valor das coisas e estejam cada vez mais infantis...
Ora bem, com mais filhos a andar pelas ruas, estes tiveram de se juntar e arranjar amizades com o maior número de pessoas e fazer pela sua vida. Assim começaram a arranjar dinheiro pelas formas mais incríveis que se possa imaginar. Alguns deles se prostituíam ou vendiam o corpo por web cams... É o rumo das coisas e não podemos culpar apenas os pais. As próprias crianças não são inocentes... talvez se queiram fazer, mas não o são completamente.
Mais distracções na infância possíveis permitem não só uma maior qualidade de vida, mas permitem também uma maior preguiça. O que daí resulta é o cada vez maior insucesso escolar em disciplinas como a matemática.
Quem é leitor habitual do meu blog se deve questionar porque falo eu deste assunto sem meter gays pelo meio. Já chego a esse ponto, vos prometo. E se isso não acontecer, lembrem-me.
Como disse, foi permitido às crianças fazer de tudo... Começar a fumar aos 12 anos em quantidades enormes - aos 16 anos são poucas as crianças que ainda não fumaram... Começar a sua vida sexual bem cedo. São poucos os miúdos hoje em dia que chegam virgens à universidade (falo inclusive dos que nunca chumbaram). Começamos a chegar ao ponto que desejo.
Com uma entrada tão precoce na sociedade, vemos estas pessoas, que não têm responsabilidade civil, a cometerem os maiores crimes (a lembrar o caso de Gisberta), a fazer coisas que apenas era vulgar acontecer com adultos (vejam o caso da Casa Pia, onde as crianças não eram de todo inocentes e nem sempre foram obrigadas, mas por vezes se vendiam...). A verdade é que o nosso sistema social foi construído para uma sociedade que está na fotografia a preto-e-branco, amarelecida, com cheiro a mofo e a sua estrutura deve ser adequada à nossa sociedade actual.
Quem já leu o livro de Wilde O Retrato de Dorian Gray certamente se lembra que a partir do momento que o jovem entrou para a sociedade, o quadro começou a perder a sua beleza. O mesmo acontece com a juventude: ao entrarem nos vícios cada vez mais cedo da forma massiva que ocorre, mais cedo começam a parecer velhos, a ficar com as linhas do rosto infantis forçadas a tornar-se adultas.
Se a sociedade mudou, e eu acho que no caso da vivência das crianças não foi para melhor, como podemos achar que a definição de família se mantenha a mesma? Hoje em dia muitos dos casais que entram de véu e grinalda na igreja não quer ter um filho quando ele aparece, o filho é então como um acidente de percurso, um descuido. Podem amá-lo mas nunca o desejaram. Nesse sentido eu tive muita sorte, os meus pais desejaram mesmo ter-me... Para mim as pessoas que desejam ter filhos não podem, uns porque estão juntos com uma pessoa do mesmo sexo, mulheres não podem engravidar solteiras...

Em relação à adopção por casais homossexuais devo dizer que é tão prejudicial para o desenvolvimento das crianças como os filhos nascidos em famílias divorciadas. Uns dão-se bem outros mal. Tudo depende do ambiente em casa e do ambiente na escola.
Que as crianças são cruéis, isso sei que são. Ainda hoje vi uma criança a tratar a mãe como uma criada... Agora termos nas escolas pessoas que não sabem como lidar com a questão da homossexualidade e que preferem não falar nisso às crianças para não as influenciar, isso é outra coisa. Este GayChoice de hoje fica então assim com um cunho mais sério por pedido de uma pessoa que falasse um pouco sobre educação de crianças e de uma outra pessoa que não aceita a adopção por gays...
Abram as vossas mentes e deixem de parte o DeusPátriaFamília para os nossos antepassados e apressem-se a procurar soluções para que as novidades não sejam levadas ao extremo do vício...
It's a GayChoice

Saturday, September 04, 2010

Neste GayChoice vou falar novamente de moda

"Moda é a tendência de consumo da actualidade. [...] Acompanha o vestuário e o tempo, que se integra ao simples uso das roupas no dia-a-dia. É uma forma passageira e facilmente mutável de se comportar e sobretudo de se vestir ou pentear. [...]
A moda nos remete ao mundo esplendoroso e único das celebridades. Vestidos deslumbrantes, costureiros famosos, tecidos e aviamentos de ultima geração. Não nos leva a pensar que desde a pré-história o homem vem criando sua moda, não somente para proteger o corpo das intempéries, mas como forma de se distinguir em vários outros aspectos tais como sociais, religiosos, estéticos, místicos ou simplesmente para se diferenciar individualmente." (Fonte: Wikipédia)
Uns referem que é completamente desnecessário andar constantemente a fazer desfiles e a gastar somas avultadas de dinheiros nessas exibições, outros por seu lado defendem que deve ser definido o que vestir adequadamente em diversas situações, no decorrer do tempo, como forma de estilo, como forma de expressão, como forma até de status. Uma coisa é certa, tão certo como eu ser gay, cada pessoa, mesmo no seu inconsciente, utiliza, de certo modo um movimento estilístico na sua forma de ser. Pode ser o mais comum, ou pode, justamente, ser a negação da moda. Esta negação cria um estilo próprio que adquire adeptos que utilizam eles mesmo uma moda, uma forma de estar, de vestir.
Sempre associado ao mundo da moda estiveram imensos gays, alguns deles importantes marcos na história da forma como vestir. Um destes foi um importante criador de um conceito de roupa interior masculina e feminina, assim como desenhador de uma forma de calças de ganga.
Calvin Klein, também conhecido como C.K. Este senhor conta na sua história da moda com os dois pontos de referência que acabei de falar: o ter feito roupa interior masculina coladinha ao corpo e que mais tarde levou o mesmo conceito para a roupa interior feminina, criando os primeiros "boxeres" femininos, assim como desenhou calças de ganga mais ajustadas ao corpo de forma a realçar as curvas mais sensuais tanto masculinas como femininas. Posteriormente, como todas as grandes empresas, a C.K. deixou de funcionar pelo seu criador original, passando também a outras áreas da moda como a perfumaria e a joalharia que segundo a minha opinião pessoal é mais interessante na vertente masculina que na feminina.

Falando de modas, não me posso esquecer de falar de uma cantora que anda na moda, assim como tem um estilo muito particular.
C.K. como todo o rico gay que se preze, tinha de arranjar alguém com quem partilhar os seus melhores momentos. Ainda para mais numa altura histórica que vai sendo cada vez mais fácil de realizar casamentos entre pessoas do nosso sexo. Há poucos dias foi revelado que C.K. tinha um novo namorado e muito se andou a procurar sobre quem seria o misterioso Nick Gruber, um modelo de 20 anos de idade, um pequeno pitéusinho para uma sobremesa em noitadas de luar.
Acontece, no entanto que o nosso amigo N.G. foi perseguido pelos curiosos e andaram pelo facebook a investigar as suas amizades, contactos, enfim, a realizar um trabalho de pesquisa intenso e muito proveitoso. O fruto deste estudo biográfico resultou em perceber que um dos seus amigos, um conhecido realizador de filmes porno gay, o tinha contratado para fazer alguns shots fotográficos. Algo perfeitamente normal para alguém que, como eu, é adepta da liberdade plena de expressão. Buscas de nomes e o acaso fizeram pensar em que três nomes (Nick Gruber, Nick London e Nick Oo) terão correspondências a uma mesma pessoa que escolhe o nome para as situações como eu escolho uma camisa para o meu trabalho. Isto sim é um verdadeiro status digno de ter figurado num livro de Mário de Sá Carneiro.
Eu, como pouco entendedor das coisas e apenas gosta de se distrair um pouco em coisas desprovidas de teor, espero que a relação seja algo duradora. Este rapaz faz efectivamente o estilo do C.K., como dá para perceber inclusivamente nas suas campanhas fotográficas, no entanto as relações entre as entidades mais célebres da feira de vaidades são de curta duração. Espero, pelo menos, que os dois se divirtam o tempo suficiente para os dois.
No caso de a coisa começar a ficar mais desenvolvida e quererem casar-se, recomendo que a boda seja ministrada por Lady Gaga. Esta senhora, cujo nome em português pode dar azo a múltiplas interpretações, decidiu que quer realizar nos seus concertos casamentos entre pessoas do mesmo sexo. FINALMENTE UMA COISA QUE O PESSOAL GAY E LÉSBICO PODE ESTAR EM VANTAGEM RELATIVAMENTE AO HETERO, podemos finalmente ter um casamento celebrado por uma celebridade.
L.Gg. tão prontamente se decidiu a este fim que vai entrar num curso para aprender a casar e o poder fazer com todas as condições legais. Podemos imaginar no meio de, vamos supor, Alexandro, a senhora chama ao palco o Paulo e o João e lhes coloca as alianças nos dedos. Penso que este facto iguala a coroação de espinhos de Madonna e a sua "crucificação", pormenor que tanta tinta fez correr, assim como medidas de segurança.
Há uns artigos atrás referi ser contra o casamento no geral, mas reformulo a coisa e digo que me encontro disponível para casar, com a condição que o casamento tem de ser ministrado por alguma celebridade. Parece que os padres vão entrar para o desemprego...
Sem mais comentários, ai ai... fica o GayChoice.blogspot.com de hoje.
Um dia ainda sou internado.

Wednesday, September 01, 2010

Um GayChoice para o final das férias

Para muitos as férias estão a começar, outros já estão de partida para o trabalho. Esta altura do ano, assim como a semana de 15 de Agosto bem que pode ser apelidada de Apeadeiro de Férias. Eu este ano tirei duas semanas no fim de julho e Agosto e mais duas no início de Setembro. Apenas uma escolha minha...
Durante o tempo de férias, assim como o retorno para o trabalho, apesar de andar um pouco ausente do blog, não deixei de andar a captar algumas coisas que me pareceram interessantes. A primeira que faço referência é o terem decorrido os Jogos Olímpicos da Juventude. Iniciativa que eu segui com um particular interesse pelos media, não tanto por causa dos eventos desportivos em si, mas pelos atletas que neles participaram. Sendo que os Jogos Olímpicos ditos de Verão são frequentados por algumas figuras bem interessantes, este consegue ser melhor. O mesmo se passa com o físico de alguns dos nossos ciclistas da volta a Portugal em bicicleta. O único problema nestes referidos, falo com conhecimento de causa, é a sua extrema desorganização, assim como o facto de terem pouca coisa na cabeça além de veículos de duas rodas com pedais... esta sugestão pode ser aplicada a outras coisas que não bicicletas.
Já que falo em bicicletas, refiro que no MUDE, o Museu da Moda e Design de Lisboa está a apresentar uma exposição com bicicletas que recomendo. Além desta, quase a terminar em Cascais uma exposição a lembrar a figura que foi Carmen Miranda. Para quem não se lembrar fica aqui a minha colaboração para avivar a memória dos mais distraídos:

Esta figura pública luso-descendente, como os mais acérrimos defensores da pátria gostam de referir, foi uma figura internacional que percorreu os ecrãs de todo o mundo numa época bem diferente da nossa. Deu qualquer maneira, o look de Carmen em muito me lembra o de Lady Gaga, apesar de esta ter traços mais actuais que a menina com os chapéus de frutas e com uma pose em palco mais mexida. São os tempos que correm...
Falando de artistas e de comida... Associação esta que pode parecer disparatada, mas se tivermos em conta que temos Carmen Miranda com uma cesta de frutas na cabeça, uma Dina que fala de fruta e água fresca, se referirmos uma certa música de nome Candy Boy, além de vários vídeos onde aparecem elementos alimentícios como se estas formas de divulgação musical fosse também uma espécie de bruxa da casinha de chocolates, foi espalhado por certos lados que Cate Perry queria o próximo álbum a cheirar a Bacon. Penso que a ideia em Portugal pode ter os seus fãs dado ainda sermos um país que se conquista pela comida.
Pela comida e pelo dinheiro... mas hoje não vou falar em dinheiro.
Também vou tentar não falar em futebol...
Penso que Cate Perry está com umas ideias um pouco avançadas para os tempos que vivemos e que exigem uma grande interactividade, mas não em demasia...
Quem não se poupou a revelar a sua vida (convenhamos que os média não têm lançado nenhuma notícia dela) foi Rihana. A meu ver, esta menina está com uma crise semelhante à ocorrida com Britney Spears que foi dada como louca por andar a revelar coisas a mais do que devia revelar. Diga-se quase tudo...
Rihana colocou um post no seu facebook a contar o facto de se ter queimado ao tentar fazer uma estranha manobra com o seu cabelo. Há certas coisas que eu penso que devemos deixar aos profissionais senão arriscamo-nos a ficar com a testa com cicatrizes de calor.
E falando em calor, porque é que ainda não falei do campeonato de futebol de praia?
É verdade, eu prometi não falar de futebol...
Praias cheias, pessoas a bronzear, outras a admirar os corpos das que passaram o ano inteiro a trabalhar o lombinho para ficar um filete digno de passar pela chapa quente e fazemos dele o que quisermos... Além dos bronzes, e das peles áureas, das peles lagosta e de todas as variantes solares de peles expostas aos elementos, temos também um período forte a nível de festas e festivais. Não fui a nenhum festival por não achar demasiada piada aos cantores terem de se apressar por causa dos que virão a seguir. Estou mais entusiasmado com os Goldfrapp que estarão em Portugal ainda este mês.
Música, música, música...
Não consigo resistir.
É mais forte do que eu.
Vou fazer uma pequena referência a uma figura de futebol, o nosso já tão falado C.R.: no último artigo fiz um pequeno comentário em relação ao facto de que seria interessante ele ter uma relação com o Ricky Martin. Pois qual não é o meu espanto ao ver poucos dias depois uma nota numa revista das que se encontram nas mesinhas de cabeleireiros (e que eu acho bem não deixarem de existir essas mesas) de nome cor-de-rosa e que faz referência a uma possível relação entre estas duas figuras.
Está oficializado. Este blog é um blog do que não acontece mas podería mesmo acontecer - ou de facto aconteceu, mas não quer que se saiba...
Com este pequeno desabafo, a minha pessoa se despede que um rapaz moreno está a trazer-me uma bebida e quero dar-lhe uma palavrinha...
Bons regressos ao trabalho se for caso disso.
Boas férias para outros.
Um bom dia para os restantes.

Saturday, July 17, 2010

Um GayChoice para reforçar a ideia de férias...


Ora bem... Hoje vou começar por falar de fruta. O verão chegou e sabe bem comer mão-cheias de pedaços de plantas e muito em particular de um pequeno conjunto de frutos aglomerados numa massa homogénea vermelha carnuda e com as sementes à superfície do corpo a que damos o nome de morango... Apesar de cientificamente não ser um fruto mas um conjunto de frutos, por uma questão de facilidade de comunicação irei sempre tratá-lo como tal. Que me desculpem os cientistas mais aguerridos.

Começo por falar de morangos porque são um tipo de frutos que me permitem discutir outros assuntos que me interessa discutir. Em primeiro lugar o facto de ser pequeno. Os morangos originais eram, na verdade muito pequenos antes de os metermos em laboratórios ou fazermos cruzamentos e cruzamentos para darem aquele fruto de tamanho apreciável. O facto de ser pequeno faz com que seja um pouco como os perfumes, as maiores pérolas encontram-se nos mais pequenos frascos. por dentro do invólucro e sem a embalagem, se descascam os mais deliciosos aromas. Aliás diz a música Sex Dwarf de Soft Cell.

They all love your
Miniature ways
You know what they say
About small boys

O pequeno é como as loiras no cinema, um ícone para ser colocado em altar. Posso dizer isto em grandes alaridos pois assim serei feito um santo de um altar "paganicamente" gay. Além disso as coisas pequenas, por norma, não são feitas para comer, mas antes para serem saboreadas. Isso é particularmente notório no caso dos bombons a acompanhar o café, ou nos pequenos aperitivos... coisas feitas para dar uso aos neurónios mais profundos da língua e pensarmos que vale a pena saborear tudo aquilo com grande delicadeza. Dizem dos gajos pequenos...

Falando em pequenos, é caso para dizer que há pessoas, não muito altas, que gostam de arranjar problemas com pequenos, é o caso do nosso amigo internacional C.R. cujas ultimas semanas têm andado a dar algum furor por causa da revelação do seu pequenote problema. Muita gente chorou, muitos se vestiram de luto, muitos acharam bem e outros aplaudiram. Foi o caso de um outro nosso amigo(a) de nome Ricky Martin de quem os rumores relativos ao seu namorado têm rolado muitas páginas cor de rosa, ou não tão rosa. Eu abro uma das não rosa, mas antes mais para o escuro com o C.R. a ter um caso com o R.M. - bem interessante de se ver...
A verdade é que correm muitos rumores relativos tanto à orientação sexual do famoso jogador de futebol, como relativamente ao facto de como "engravidou" ele a rapariga que lhe deu um filho. Rumores lanço eu de que ele e R.M. tendo um caso, pediram encarecidamente os dois para a rapariga ter um filho deles, sendo que não esteve com os dois na cama mas tudo se passou por um processo de inseminação artificial pago numa clínica privada com todo o aparato e sigilo adequado.

E como se fala de morangos e menores, que dizer das férias de verão, senão que com a crise, o que salva mesmo o enorme tempo livre das crianças é estarem sentadas em frente ao televisor visualizando morangos adocicados. Uma coisa que me lembro bem foi de ver um dos actores desta série televisiva a fazer um musical com a sua melhor apresentação: "Rapazes nus a cantar"... Peça de teatro imprópria para gays frustrados, assim como muito sensíveis do coração...

O que vale é que faço publicidade um pouco de tudo: do bom do mau, do que se quer e do que não se quer. E seja com açúcar, seja com chantili, seja mesmo com mel ou embebidos em vinho rosé ou champagne, o que se quer mesmo neste verão é calor, uma esplanada, um rapaz giro a servir-nos morangos, de preferência com alguém feitio de ginásio bronzeado com um pareo à cintura.


Enfim...
morangos, morangos, morangos...
It's a GayChoice.

Saturday, July 03, 2010

As asas de Eros e a Final do Campeonado do Mundo em Futebol... em Paris - Parte 2!

As paixões... as paixões... Os frutos dos nossos desejos rebentam das sementes do deus alado com setas e aspecto miserável, filho da pobreza e do engenho. Aquele por quem entregamos tudo, até a vida, e com ele o nosso engenho é desenvolvido. Assim falava o filósofo no meu resumo das suas palavras. Falo, claro, de Eros, o deus do amor.
Pelas paixões tudo entregamos. Quando o nosso coração se enche de algo pleno, comunitário, de espírito de entrega, partilha comunitária, gestos de afecto, beijinhos, abraços, gritos de alegria... e futebol, claro está! É neste assunto que todas estas acções se tornam possíveis, de certo modo, de ver tão lindas. No futebol, à margem das divergências clubísticas, somos todos uma grande família sem qualquer tipo de complexos. Vejamos:
1. Antes do grande show de 90 minutos muitos homens e mulheres de aspecto másculo se posam diante de um espelho com o estojo de maquilhagem a meter base de duas e três ou quatro cores. Colocam perucas de cores berrantes, encharpes, carregam bandeirinhas, tantas como um arco-íris, madeixas no cabelo... Cada fanático, arrebatado pelo fogo da paixão à sua selecção. Eu digo que tudo isto é bonito. No mínimo, digno de posar ao lado de Priscilla, a dita Rainha do deserto.
2. Entram as vedetas no verde tapete relvado com as chuteiras delgadas feitas com todos os pormenores mais delicados, amortecimento de impactos e sempre com as mais variadas cores. Colants até ao joelho, calções com design a realçar as curvas dos exercitados e enaltecidos glúteos, que, em horas de maiores apertos e nas valentes quedas e enrolanços na relva, se vislumbram por baixo a roupa interior apertadinha à pele. Além do mais tanto amor têm à camisola que a oferecem como troféu ao seu público amado.

3. Volto à Priscilla:
First I was affraid I was petrefied (Estes são os primeiros minutos)
Finnaly it is happen to my right in front of my face my heart can't describe it (Este é o momento do Gooooooooooooooooooooollllllllllloooooooooooooooo!)
É nos golos que a coisa se vira do avesso. Toda a gente vira paneleira, todo o paneleiro beija gajas, todas as gajas tiram os soutienes... Que o céu não nos caia em cima, pois já bastou ter a polícia ter caído em cima de um magote de brasileiros no Oriente há dias.
Nos momentos de golo avistam-se autênticas cenas orgíacas de forte carga sexual. Os jogadores empil(h)am-se, existem apalpões, festinhas, peitos despidos, testosterona ao rubro... O mundo do futebol é, no fundo, algo de verdadeiramente masculino e, acima de tudo, objecto de assunto para adultos, maiores de 18 anos.
E das profundezas do nosso país, um dos seus avós por muitos ainda idolatrado, por outros renegado, pela maior parte abandonado às águas do Letes, eis que ele volta qual D. Sebastião em cima de um cavalo branco, não para salvar a pátria, ou a fazer ganhar a taça, mas para lembrar que sempre vivemos e viveremos debaixo do seu lema: "Deus, Pátria e Família". Em relação a Deus basta ver a forma como o país parou para receber o chefe de estado do Vaticano, a pátria dos nossos egrégios avós e afilhados que são os sucessivos jogadores da Selecção Portuguesa. A família... já falo da família.
Nos bastidores de tudo isto mora a verdade onde temos alguém a fazer do dinheiro o seu deus, do país os seus escravos e da família... um drama digno de uma das piores operetas escritas por algum holandês. No entanto fica tudo em família, pois vejam como sofrem de emoção a cada tentativa de ataque, como nem se levantam ou sentam em poses de querer levar por trás numa sincronia equiparada a um rito religioso. Tudo ao som de uma espécie de sacerdote com o nome de comentador desportivo.
Mas volto ao primeiro tema: refiro-me a Eros, à criação de uma família e do facto de não existir uma sem o outro.
Diz a tradição que o homem foi feito para a mulher, e esta para ele. Depois, na incrível e rocambolesca história do mundo que anda sempre a rodar como uma roda besuntada de vaselina, aparecemos nós... pois... Aparecemos para destabilizar toda a concepção de família. É verdade!
Porque acontece isto? Ora acontece, como diz a "tradição" que a viagem para o mundo da paneleiragem é uma viagem onde apenas se pode comprar o bilhete de ida, não se vende o de volta!
Podemos nascer direitos e a partir do momento que pegamos por trás não voltamos a ser os mesmos. E nem com a Maya a subir a palcos a questionar se alguém se quer reconverter... Aconteceu, porém, que o barco começou a ficar muito cheio com um grande e variado grupo de pessoas e é normal que algumas delas quisessem ganhar com isso. E puf... fez-se o chocapic! Que é como quem diz, o casamento.
A outra dizia que antes queria "asno que me carregue a cavalo que me derrube" e eu algo parecido: "antes puta mal-afamada a cadela domesticada". Não é que seja contra alguém se unir a alguém e partilhar alianças e todas essas cocozisses; no entanto mistura-se muitas vezes o deus Eros com o deus do dinheiro e o resultado nem sempre é bom. Pois que há contas a pagar e nos dias que correm é tudo pago a meias, há os filhos que se quer ter, há o trabalho a ocupar demasiado tempo... e isto tudo afasta o deus alado para um nicho abandonado ao esquecimento. E como ele se afasta teve de se inventar algo mais: o divórcio.
Assim sendo, eu não me quero casar porque não me quero divorciar.
E se acham que o que digo é ridículo, vejam o tempo que demorou entre o primeiro casamento gay em Espanha e o primeiro divórcio gay. Eu acho importante duas pessoas se unirem pelo amor e haver uma entrega mútua, coisa voluntária, sem ser preciso nada mais que o amor, sem papéis, sem complicações, apenas o puro Eros.
Devo ser utópico, não?
Por este motivo me mantenho na má vida... Uma vida de intensa adoração ao deus do amor e a toda a gente.

Se algum dia eu me casar será uma única vez sem grinaldas, grandes festejos ou rabonas, mas quero que seja em Paris. E que o eterno beijo dure mais que os 90 minutos (pouco mais ou menos) da final do campeonato do mundo de futebol, pois eu prefiro beijar que a espetar o cu aos apalpões perante um jogo na televisão.
despeço-me do meio de um grupo de adeptos a gritar pela amada pátria, de um iraniano a cantar espontaneamente algo na sua língua sem qualquer razão, e um par de jarras de cristal também sem nexo no quadro total.

It's a GayChoice...

Thursday, July 01, 2010

Obscuro amor - Poema sobre um amor proibido


Ainda ontem me partiste
triste consolação
entre os mochos e corujas
vampiros e aranhas
me colocaste um pouco a sonhar

as flexíveis vergas do chorão
em materno amor
a mim se enlaçam num berço
embalado por Bóreas
onde pude outrora amar

ainda foi apenas ontem
meu infame adeus
que nas largas mãos da irmã
da grã Miséria
teu cadáver belo fui depositar

o manto velho e a foice
levam tua alma
teu corpo gelo eu ao eterno
que minha lembrança
tão curta é e me não vou matar

a isso tu bastas, é certo
e lírio bálsamo
e enfeito a meu pagão modo
de flores assassinas
feitas de minhas mãos o teu altar

pois que te amo ao eterno
tempo durar
e em minhas mãos escorre
o grito impróprio
que meus dedos tiveram de calar

sempre te amei adonis mio
idolatro-te
mais de ti gosto, mesmo agora
tudo consentes
que quem chora pôde enfim matar.

Friday, June 25, 2010

Mais uma GayChoice

E que falar nestes dias? Que escrever numa altura em que ninguém tem paciência para ler o que escrevo e até mesmo eu não tenho paciência para escrever... Farto de ressacas e com o calor à porta apenas apetece um cocktail servido numa praia por um moço bem simpático.
Sobre as aventuras e desventuras do Sócrates, ninguém tem mais interesse.
Sobre a crise da economia internacional e a queda do sistema actual, não me apetece escrever sobre algo que a maior parte das pessoas não vai ler mesmo - como se eu acreditasse que alguém vai ler este artigo até ao fim...
Sobre os movimentos planetários... posso começar por algo parecido; mas não me parece boa caldeirada. Tem muitas espinhas...
Bom, tenho de arranjar um título oficial interessante para este momento de leitura. Aqui vai (como vai correr, nem eu sei...):

AS ASAS DE EROS E A FINAL DO CAMPEONATO DO MUNDO DE FUTEBOL... EM PARIS!!!

O título é desafiante. Só depois de o escrever é que me apercebi da estupidez que vai sair.
Falemos de Eros... Há vários anos atrás, séculos mesmo, já se discutiam muitas coisas sobre o amor. O nosso amigo Platão colocou Sócrates, o filósofo, num jantar que descamba em orgia, a conversar com outras personagens sobre o deus do amor, Eros. Uma das personagens defendia que o amor é o mais antigo dos deuses uma vez que tudo o que existe é obra do amor. Por outro lado, outra das personagens defende que o Amor é o mais jovem dos deuses pois veio apaziguar o mundo envolvido nas guerras entre deuses e titãs. Deixo ao critério de cada um avaliar o que acham sobre o amor: a mais antiga das coisas existentes, o algo que apareceu depois de tudo criado para dar uma ordem ao mundo. À margem de tudo isto alguns livros eram escritos com as primeiras condutas de ética sexual. Os mais conhecidos são o Kama Sutra e o outro O Cântico dos Cânticos encontrado na Bíblia. Os nossos amigos da antiguidade tinham tanta imaginação...
Infelizmente o mundo deixou de procurar o amor como uma forma de conquista da felicidade por uma busca de um estado de êxtase. Uma das últimas interpretações que temos disto ao nível da história do Catolicismo é no caso de Santa Teresa de Ávila cujos poemas incluídos na flecha de fogo transparecem algum carácter sexual para um encontro mais próximo com Deus.
Assim sendo, (ainda há alguém a ler isto? Ainda bem.) devemos procurar um caminho, para uns mais porco, para outros mais puro e casto de modo a chegarmos aos nossos deuses.
Falo de DEUSES e cruzo-me com o Mundial de futebol. O que tem ele a ver com o livro O Banquete do Platão? A busca de uma perfeição; cada vez mais se querem os futebolistas como jovens modelos com os corpos musculados - às vezes exageradamente - a serem fotografados como objectos de campanhas de marqueting (escrito propositadamente, acordos ortográficos para quê!) em corrida para chegar às top models mais sensuais. Deste modo, não é de estranhar que neste meio comecem a aparecer as primeiras bichas. Falando em Bichas, sou uma delas, assim como uma amiga minha. Eu rapaz, ela rapariga, temos em comum o facto de os dois acordarmos a pensar em gajos. (Fica a homenagem a não sei quem.)
No sentido do futebol, temos que os rapazes que frequentam este desporto, cada vez mais misógino, a equivaler-se aos ginastas da antiga Grécia que recebiam instruções das pessoas mais velhas, inclusive a nível sexual. A pederastia era algo permitido, mas nem sempre admitido.
Falando em jovens deuses, de referir que algumas personagens estão em grande. É o caso de Miguel Veloso, como o vinho do Porto, cada vez mais bonito. Proponho que o pessoal que chegar a este ponto de leitura coloque o nome dos mais bonitos jogadores. Prometo oferecer postais autografados dos mesmos e os cromos mais raros do planeta.
Outra coisa que se encontra em grande avalanche, em grande euforia, em grande alarido é a vuvuzela. Este instrumento, cujo som se assemelha ao som de um elefante, faz-nos parecer mais gordos ao inchar as bochechas para o tocar. Além de andarmos fartos de ouvir relatos onde o som destes cornetins se sobrepõe ao som dos jornalistas, é de referir que a Assembleia da República de Portugal decidiu que era boa ideia falar nelas e colocar um ministro em pose completamente indecorosa, senão mesmo de pose de avestruz - onde meto a cabeça - a tentar proferir o nome de um objecto cónico oco.
Ora bem! Sou defensor da abolição das vuvuzelas neste planeta e da campanha Empresta-me-a-tua-vuvuzela-ups-parti-a. De qualquer maneira não posso deixar de referir que é com ela que remeto o meu último assunto.
Façamos uma experiência quase sexual:
Pousem a vuvuzela no chão com a ponta voltada para cima.
Sentem-se no chão com os vossos craques ao lado tipo como se estivessem num avião.
Esqueçam o futebol e imaginem uma viagem turística.
Olhem a vuvuzela.
Pensem que descem do avião e imaginem onde estão:

Nada mais romântico. Um jantar num barco a ver a torre iluminada. Proponho que a torre se passe a chamar vuvuzela.
O meu tempo se esgota e a final daqui a pouco está para aparecer. E dado que não quero saber dos aumentos dos impostos, das taxas de juros a subirem, ou da cada vez maior precaridade do trabalho, vamos mas é embebedarmo-nos e avinharmo-nos como os filósofos de Platão para entrarmos no puro esquecimento, mesmo não sendo a final entre o nosso país, que vença o melhor, ou o que ganhar, que somos a nação do quase...

Wednesday, June 09, 2010

Ressacas

Este mês que não tenho escrito nada tem sido só ressacas atrás de ressacas. Começou o mês de Maio com a ressaca do Dia do Trabalhador com uma manifestação dos trabalhadores do sexo que exigem melhores condições de trabalho. Nos dias que correm não sei se isso será bom... tipo passam a pagar impostos, deveres civis, entre outras coisas cuja importância para o estado seria conveniente e para os trabalhadores as condições reais não melhorariam... Olhem-me só a declaração de rendimentos:
>>>>>>>>> Cobranças de serviços
>>>>>>>>> Serviços extra (como as massagens ou serviço de acompanhamento)
>>>>>>>>> Taxa de deslocação (para o estrangeiro uma semana em iate particular)
>>>>>>>>> Subsídio de refeição (em restaurantes de luxo)
A questão dos trabalhadores do sexo em parte deve ser mantida em segredo. Ou pelo menos ser fundado um sindicado dos trabalhadores sexuais para discutir as condições para a profissão mais antiga do mundo.

A primeira ressaca mal tinha passado, e logo a seguir aparece mais uma relacionada com uma figura que, segundo opinião de alguém que lhe é muito próximo, não calça Prada, mas calça Cristo. Convenhamos que quem calça Prada é o seu mortal inimigo que rasteja por todas as frestas. Inclusive por imagens de cristal, como podem ver pela imagem:


Ainda não me tinha passado a febre de o papa ter visitado este país e termos gasto uma quantidade enorme de dinheiro para contribuintes para construir um altar, para o deslocar a baixa velocidade por três cidades do país a celebrar missas... Como dizia, ainda não me tinha passado o sabor da bebida e logo zás... me aparece o discurso do presidente a dizer algo do estilo: "Que se casem e não me chateiem mais com isso que tenho outras coisas a pensar." Lá aparecem as comemorações de casamentos a serem agendadas. A profusão de lojas com propostas de luas de mel e todo o tipo de coisas para o seu casamento. Acho que foi a pensar nisso que criaram aquela Nossa Senhora assim...

Pouco depois o meu signo gritou pelas minha velas a assoprar e não pude deixar de comemorar a minha pouca idade para alguns, muita para outros. A ideal para mim que me sinto como o vinho do Porto, cada vez melhor... Falando em vinho do Porto, lá vai mais um copo para brindar. Fora isso tenho passado o tempo a beber pois já não há quem ature aquele instrumento de plástico patrocinado por uma companhia petrolífera em que se assopra. Antes prefiro assoprar outras coisas...

Pois é... o nosso amigo mundial veio para ficar por uns tempos. Mais outras cervejas e amendoins e tremoços e caracóis. E mais outro copo para descarregar. Ainda não terminou o mesmo, mas para a equipa portuguesa pouco tempo de comemorações deve haver e, por esse motivo, deveremos beber para esquecer que lá estivemos. Falando em futebol, parece que dois meninos do futebol brasileiro andam muito pegado. Serão eles um pelo outro? Imagens há de um deles bem "estimulado" pelas alegrias do outro.

Com isto não há que esquecer que as marchas estão mesmo à porta. Esta semana as de Santo António e num outro fim de semana a marcha lgbt e tudo o que haja pelo meio...

Para terminar e abafar a minha depressão por constantes ressacas, umas de comemoração e outras para esquecer, fico a admirar os meninos em curtos fatos e ambiente militar e religioso no vídeo de lady gaga. Aqui fica para verem...