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Thursday, August 23, 2007

Ocaso (21 de Setembro de 2006)

procuro um olhar nesta funesta cidade
oitenta cêntimos, um punhado de papéis
tons de magenta e cinza
perpetuam a minha febre de ver gente.

rostos incomodados ao sabor de um cigarro
um cão danado deitado no chão
café posto na mesa
olha...
o sol já se vai pondo
é uma cidade de rotinas
de horas passadas no compasso do relógio
é tarde...
ai, amor
este era o tempo
que te esperava na esplanada de outono

é lindo o pôr do sol
como a morte a chegar-nos
sim, amor
é a estrela da cidade.

zumbem moscas nos esgotos
há transito
monstros da nossa sociedade
e eu e tu
fazemos a nossa história neste ocaso
feito de cinza e magenta
que se derrama em felicidade
na nossa triste fatalidade.