Friday, February 24, 2012

Latter Days Official Trailer - TLA Releasing

Aqui fica a recomendação de filme:



Later days
o desejo sentido é mais que intenso
sente-se se aproxima o momento
que se cortam todo o ressentimento
para se mergulhar no puro incenso
dos prazeres que se dizem
mais de tudo duros de tesão
entre dois corpos a se conhecer
como acabados de agora nascer
e ao toque mínimo se tem vibração
de todas as células que sentem
para o corpo não mais morrer
do tédio agarrado no sofrer
que mais mal traz que bem
e sabe-se bem o momento
que se corta tudo na vida
para uma geral revolução
dos sentidos e da razão
em guerra não contida
e tudo o resto é uma forte
dor de um vazio de viver
quotidiano destes tempos
e se querem momentos
cheios de um sexual prazer

Wednesday, January 11, 2012

Aniversário de Al Berto

Foram Breves e Medonhas as Noites de Amor

foram breves e medonhas as noites de amor
e regressar do âmago delas esfiapava-lhe o corpo
habitado ainda por flutuantes mãos

estava nu
sem água e sem luz que lhe mostrasse como era
ou como poderia construir a perfeição

os dias foram-se sumindo cor de chumbo
na procura incessante doutra amizade
que lhe prolongasse a vida

e uma vez acordou
caminhou lentamente por cima da idade
tão longe quanto pôde
onde era possível inventar outra infância
que não lhe ferisse o coração

Al Berto, “O Medo”

Saturday, January 07, 2012

GayChoice de Ano Novo

Um Feliz Ano Novo a todos os leitores deste blog. Que o próximo ano seja com tudo do melhor em amores, sexo, no ego, em dinheiro, em trabalho, em casa, nos amigos, nas diversões, nas viagens, nos estudos e acima de tudo sejam felizes.
Este GayChoice vai ser acompanhado, ou talvez inspirado pelo calendário Dieux du Stade 2012. Estes calendários feitos há vários anos são feitos com modelos de ragby em poses eróticas. Estive a ver as fotos do calendário deste ano e gostei. Acompanho os meus dizeres com as respectivas fotos. Além do mais aproveito para fazer uma retrospectiva do que foi o ano anterior e este mesmo ano o que vai ser.

JANEIRO - O ano começou com o anúncio de Lady Gaga em relação às filmagens do video clip Born this Way. Uma música que lembra que não importa o como nascemos, somos o que somos e pronto. Assim devemos ser. A 28 de Janeiro todos os anos se lembra o dia pelas pessoas que morreram nos campos de concentração nazzi, entre eles, não apenas os judeus, mas também homossexuais.
Elton John e David Furnish, o famoso casal britânico apresentam o seu filho ao mundo e a vida de Carlos Castro termina com um assassinato em Nova York. Dado ser um ano dado a mortes, o ano que terminou. Ciclos que terminam e outros que começam.
No Reino Unido é criado um museu que relata a história da homofobia. Os medos que nos cercam são sempre alvo das acções mais disparatadas ao longo da história.

FEVEREIRO - Para os amantes das saunas em Portugal, abre uma nova sauna, SaunApolo 56. E para sair à noite, a cantora Katy Perry esteve no bar Finalmente em Lisboa para espanto de muita gente.

MARÇO - É inaugurado o CheckpointLX, um centro de rastreio VIH com a particularidade de ser orientado para homens que têm sexo com homens, onde se procura aconselhar de forma um pouco mais directa assuntos do foro intimo que nos centros de rastreio habitualmente não existe.
Para os trans o mês de Fevereiro foi importante. Para quem queira mudar de sexo, agora o pode fazer sem necessidade de tribunais. Uma facilidade para as pessoas que se encontram nestes processos, já por si fisicamente complicados.

ABRIL - São feitos os sensos em Portugal para ver quantas pessoas somos e às quantas andamos.

MAIO - Feita uma manifestação contra a homofobia em Coimbra. Eu que estive a morar nessa cidade durante muito tempo, considero que pelo número de pessoas que aderiram, foi um verdadeiro sucesso e já era tempo, né?
Também em Maio uma defensora de direitos lgbt ganhou prémio de Defesa de Direitos humanos. Não seria nada de extraordinário se ela não vivesse num país onde os homossexuais são assassinados e tem sobre si várias ameaças de morte, inclusivamente na Rolling Stones do Uganda, país onde nasceu Kasha Jacqueline Nabagesera, a galardoada.

JUNHO - Mais um arraial e marcha lbgt em Lisboa e depois no Porto onde se lembra que as igualdades não são para ser esquecidas. Eu para variar estive presente. E, como sempre junto da bandeira, pela qual tenho muito carinho.

Friday, December 16, 2011

GayChoice - Mais um N.A.T.A.L.

Começo o GayChoice de hoje com uma coisa: estou farto de Indonésios! A mandar mensagens por aqui e por ali de isto e daquilo. Não que responda, que prefiro outro tipo de gajos, mas porque tenho de ter trabalho a apagar. Já não bastavam as publicidades de sites de viagras e vibradores! As revoltas e indignações são uma constante no nosso país pelas medidas de austeridade, mas sobre isso não vou falar muito que servem os analistas e comentadores políticos. Prefiro antes falar e comentar relacionamentos. Acho mais divertido meter-me na vida das pessoas.
Para isso vou falar, como vai sendo costume no meu blog por esta altura, comentar o N.A.T.A.L. – Nada a Acrescentar de Taxas de Luxúria. A verdade é que esta época do ano é festiva demais para podermos seguir com calma a nossa vidinha. Depois da euforia do verão, falo claro do hemisfério norte, que no sul o Natal é no verão, como dizia, depois da euforia do verão vemo-nos quase de seguida no meio de árvores verdinhas cheias de luzes e bolas coloridas e tudo isto é lindo, tudo isto é Natal. E uma figura que vemos em todos os centros comerciais é o Pai Natal. Este ano como as medidas de austeridade vai ter mais trabalho. Que o digam os Pai Natal da Roménia que têm as suas crianças a escrever as maiores cartas ao dito senhor. O senhor das barbas brancas deve estar com saudades dos tempos em que a escrita era fortemente controlada. Agora que virou para o capitalismo, tem que se haver com estas coisas… Tempos Modernos.
E neste N.A.T.A.L. o que não vamos ainda pagando a mais é pouca coisa. Transportes vão ser mais caros, ordenados reduzidos, mais despesas a dar ao estado. Será que o Pai Natal também tem este tipo de problemas, vejamos: não utiliza combustíveis fósseis e não tem problemas com a gasolina, a não ser que tenha-se modernizado o seu trenó. E que dizer dos ganhos em cada casa que visita com os doces e leite que as pessoas deixam para ele beber. Será que vai ver de dar ao estado um terço do que come? Se assim for, este ano o Pai Natal não vai mais ser o gordo homem vestido de vermelho, mas vai ficar magrérrimo. Além disso temos também os aumentos nas luzes. O que vai dificultar a tarefa do Pai Natal que não vai mais ter orientadores a descobrir casas onde pousar o seu trenó e vai andar às apalpadelas. Por isso se acordarem a meio da noite com um apalpão no cu não se admirem. Se tivesse posto mais luzes de Natal em casa nada disso acontecia. Por isso avenham-se com as desventuras do velhote.
E que prendas vai haver? Andei a vasculhar pela net alguns exemplos de coisas que podem ser oferecidas como best sellers. Apresento por ordem de vendas: 1. Um Pai Natal a peidar-se – uma figura que manda sons de… gases intestinais. Já o P.N. não pode ter um pouco de privacidade! 2. Pendurico de Mãe Natal sexy – para colocar na árvore de natal uma senhora muito sexy, será que posso encomendar um P.N. sexy para a minha, que seja bem definido, estilo australiano?
3. Pai Natal que se aperta – ao apertar-se o P.N. ri-se e roda e abana todo como se lhe estivessem a fazer outras coisas. Pleasssssssssseeeeeeeeee! 4. Bolo de gengibre para pendurar - tem a figura do homem gengibre a ir à mulher gengibre. Eu aguardo a versão gay da coisa. Depois como o biscoito e digo que estive num menage a troi com dois homens gengibres. 5. Ornamento Bacon para pendurar - mas que raio?! Querem fazer uma árvore de natal barbecue? 6. Mãe Natal em cima do P.N. para pendurar – tenham um pouco mais de decoro! Coisas dessas nesta altura do ano! Já não há respeito! 7. Ti-shirt “I’m not Santa” – Uma coisa decente. Pelo menos mais discreta, porque diz: Não sou o Pai Natal mas podes sentar-se ao meu colo. Ao menos mais decoro e apenas propostas indecentes. 8. Ti-shirt fato de pai natal – uma alternativa mais leve aos fatos pesados e quentes para quem anda vestido de P.N. nos centros comerciais. 9. Ti-shirt “Merry Christmas Asshole – ideal para oferecer a quem pouco se gosta. De preferência afastem-se antes de abrir o presente. 10. Mãe Natal em cima de um pénis erecto – repito as minhas palavras atrás: aguardo versão gay. E depois há as músicas e as peças de Natal. Falando nisso, de avisar que se virem o George Clooney a fazer de Gay não se admirem. O actor decidiu fazer uma peça neste natal relacionada com a forma de tratamento distinta entre gays e heteros. Será que os anúncios da nexpresso não ter também essa versão gay? Hummm!
Versões homo de coisas natalícias como festas natalícias e todo o tipo de delícias de formas mais ou menos ousadas que coloco uma de lado para me confortar ao lado da fogueira. Para que o próximo ano seja mais feliz e mais Christmas Carrolling que este, porque vai sendo tempo para isso. Vos deixo com umas figurinhas natalícias…
Um Merry Xmust! It’s a GayChoice de hoje!

Wednesday, August 31, 2011

As Mãos do Homem Água

Umas mãos cheias de água saem
do mar. Trazem consigo um corpo
de homem que visita os sonhos mais
incautos de outros homens na noite
que menos esperam.

As mãos vêm cheias dos mais perversos
vícios. Aqueles que qualquer cristão
homem enterraria num confessionário
mais perto de si. Tal nem sempre
acontece e ele espera.

As mãos do homem que sai das águas
do mar vêm cheias de sonhos
sexuais de homens dados ao vício
de se perderem longe de si mesmos
sem nada a esperar.

E das mãos desses homens sai
o mar que traz consigo as ondas
de sonhos que visitam o homem
das mãos que saem das águas
e bem te esperam.

Das suas mãos que do mar saem
cheias vem de presente um corpo
de sonhos e vícios que os homens
incautos não podem ter perto
enquanto esperam.

Que suas mãos tocam o homem
de mar com o corpo de sonho-vício
a que todo o homem se entrega
quando nada se tem a perder
antes da espera.

Que as suas mãos, do homem saído
da água trazem vícios sexuais
que os homens incautos queriam
enterrados no confessionário mas
antes as esperam.

Sunday, August 28, 2011

Uma GayChoice - Uma lista para ouvir no feminino

1 - Around The World


2 - All the Lovers


3 - Express Yourself


4 - Evacuate the Dance Floor


5 - Get The Party Stared


6 - Wet


7 - Dance Dreams


8 - Haunt me


9 - Fireworks


10 - Nite Time


11 - When Love Take Over


12 - Believe


13 - Rocket


14 - Sober


15 - Poison


16 - Sleeping In My Car


17 - Teenage Crime


18 - Miss

Sunday, July 24, 2011

Uma GayChoice - Uma lista para ouvir

Ficam umas sugestões musicais. Podem agradar a uns mais que a outros mas não posso agradar a gregos e troianos. Como estamos no Verão, mesmo não se notando, fica uma sugestão mais dançável.
Lista:
1. Shine on me - Taito Tikaro & Ferran
2. Pulpo negro - Pedro Marin
3. Reach for the Stars - Antoine Clamaran
4. In and Out - Armin Van Buuren
5. San Francisco - Cascada (San Frandisko Remix)
6. Total Eclipse Of The Heart 2011 - Nicki French (Total Bromance Club Mix)
7. Alexandro - Lady Gaga (Dave Aude Radio Mix)
8. Cooler than Me - Mike Posner (Gigamesh Final Version)
9. Happiness - Alexis Jordan (Deadmau5 Extended Mix)
10. Taio Cruz - Dynamite




















Uma GayChoice - Um livro a ler

Como estamos no verão e sabe bem a praia fica uma sugestão de leitura de um livro que tem vai dando que falar pela sua beleza e ao mesmo tempo pela sua rebeldia. Falo do livro: Os Anjos Maus de Eric Jourdan editado em 2009 pela Bico de Pena.
O texto conta a história de dois rapazes muito novos que partilham um conjunto de experiências que vão do erótico ao violento.
A primeira vez que li o livro  fiquei inundado por um texto impressionante que rasa o erótico com uma tal pureza de juventude que chega-se a esquecer de toda a relação. O livro desde a sua publicação que foi considerado "impróprio" devido ao seu conteúdo.

Os Anjos Maus é sobretudo uma «história de amor sobre aquilo que nos dá uma protecção eterna contra a velhice: o sangue e a pele da juventude.» Pierre e Gérard são primos, estão dispostos a tudo, e vão pagar caro a paixão que os une. Como diz o narrador, «o homem harmonizava-se com a sua necessidade.»
«Matei por amor. Recordo toda a noite. Pierre estava preso a uma trave baixa; eu tinha atado os seus punhos com uma corda. [...] O chicote era o meu braço [...] Eu deixara de ser um rapaz, era a violência com rosto de rapaz.» Gérard viola e mata Pierre por ciúmes. É uma cena brutal: «Vi que havia feito amor no sangue.» O suicídio é o corolário.
A história é contada a dois compassos: primeiro a narrativa de Pierre, nimbada de lirismo e melancolia; depois a de Gérard, sem poupar no grafismo, em particular nos episódios envolvendo terceiros. Com Philippe, por exemplo: «O seu perfil abriu-me as nádegas. [...] Agarrei-lhe a nuca por baixo e esmaguei-lhe mais a cara. A sua língua violou-me [...] eu sentia-me mais viril, pois a minha força inspirava essa homenagem e o homem que em mim havia gostava de se dar ao luxo de um prazer passivo.» Não admira que o puritanismo do pós-guerra se tenha sentido ameaçado. O silêncio dos intelectuais continua a ser um mistério.

Com elementos de Pierre & Gérard, in Ípsilon, 30-1-2009, p. 35. Quatro estrelas.

Uma GayChoice - Um filme a ver

Um filme que num destes dias à noite estive a ver e que recomendo. Não se trata de mais um filme gay a criticar fortemente a Igreja Católica ou mais um filme sobre pedofilia e abusos por padres. Trata-se de um filme que consegcom ue um concílio entre duas coisas: uma profissão que exige a castidade e os problemas do mundo sexualizado em que vivemos.
O Padre Greg Pilkington (Linus Roache) é colocado entre as suas chamadas como padre católico conservativo e a sua vida secreta como homossexual com um amante gay. Depois de ouvir a confissão de uma jovem dos abusos incestuosos do pai dela, Greg entra numa imensa luta espiritual e emocional intensa na decisão entre escolher as coisas morais acima da religião e de uma vida sobre a outra.
O filme em si é simples, sem grandes efeitos, mas com desenvolvimentos interiores fortes. Podemos entrar dentro das personagens por teres uma construção forte.
Assim sendo, peguem nas pipocas, sentem-se no sofá sozinhos ou acompanhados e desfrutem  - que é para isso mesmo que estamos nesta terra...

Realizador: Antonia Bird
Argumento: Jimmy McGovern
Actores principais: Linus Roache, Tom Wilkinson and Robert Carlyle
País: UK
Língua Original: English
Data de estreia: 19 Janeiro 1996 (Portugal)




Quadro com um anjo


Em sonhos em vejo um anjo. Um anjo a cair do cimo de um edifício. E reparo nos olhos fechados, aguaradam o fim. A queda é longa e a vejo lenta.
No meu sonho os seus cabelos são vermelhos. Estão ardentes de paixão. A paixão que recusei. O seu corpo veste-se de feridas ainda não saradas, veste-se de sangue e suor. Suas asas não mais funcionam. Como um gato diante de Alice elas vão desaparecendo. Ficam cada vez mais ténues. Por fim ficam invisíveis.
Todo ele se abandona à queda. Ele sabem que vai morrer, e quere-o. O vento acaricia-o, aconchega-o. As asas do vento beijam-lhe o rosto. A boca romã vermelha mantém-se inexpressiva, pura. Como aguardando um beijo. O meu beijo
O corpo se abandona na vertigem. Desce. Aceita a gravidade. Por cada instante foi empalidecendo. Ele afunda-se até ao abismo da morte. Como o corpo arrefece! Esse desprendimento é largado à maior das decepções. O corpo na queda vai abrandando o seu ritmo. Esquece de ter de dar alento.
Eu o vejo cair em meu sonho.
Ele cai pela força que o puxa. Cai com a tentação de Lucifer a descer ao lugar dos condenados.
O coração esquece. A alma abandona. O corpo arrefece. O sangue gela nas veias. Torna-se pedra. Esquece de correr.
Num curto instante. Tudo num instante.
Vejo-o cair.
O chão aproxima-se.
Qual copo de cristal, chega lento ao chão. Parte. Estilhaça. A dispersão do seu corpo leva-o ao Hades. Torna-o uma nebulosa de estrelas.
Um clarão.
Tudo se apaga. Ele se abandonou até ao último golo de vida pelo viver do seu amor. E eu, eu o recusei.
Eu o vi cair. Nada pude.

Quadro com um anjo


O ser demoníaco que era anjo precipita-se do topo da catedral. A sua vontade primeira é suicidar-se. O seu primeiro desejo é o da morte. A sedutora morte.
Com a sua queda do céu ele ficou cheio de energia. Eu sem ela. Enquanto ele se levanta, eu me deito e encolho cheio de dores. Eu lhe dei a vida mortal. Eu lhe fui sua mãe, o progenitor de um demoníaco anjo que nasceu numa noite gelada.
Ele olha do alto da catedral para o longe chão. Sente uma vertigem. O seu corpo estremece. Não mais se lembra do anjo que era. Esqueceu tudo. Agora lhe ficou apenas uma maldade carnal.
O desejo da morte volta-lhe. Ele sente o seu chamamento. Talvez fosse a sua porta de saída. A lua descoberta e despida, as estrelas distantes são um chuveiro que lhe limpam a clara pele do anjo caído dos restos de sangue. Cobrem-no da prata da noite. Abençoam os actos que venha a fazer. Naquele instante, apenas um desejo de acção o envolve. E é apenas um.
A morte.
Os seus olhos claros abraçam a queda. São puxados por fios invisíveis como se fosse uma marioneta. o crânio inclina-se para baixo. Curva-se o pescoço. O peito também se inclina. Todo o pensamento está dirigido para baixo. Cai. Vai caíndo lentamente. As mãos afastam-se do corpo, colhem o invisível ar onde antes tanto ele lia. As pernas dobram-se ligeiramente.
Eu vejo-o cair. A imagem me perturba de tal modo que as minhas entranhas doem mais fortemente. Mais fraco estou. A cada minuto mais fraco. O seu suicídio é também a minha morte. Sinto vontade em gritar mas o som fica preso na minha garganta. as cordas vocais enchem-se de líquido. Tusso. Tusso sangue.
É a morte.
Os seus pés cor de prata esticam-se até às pontas. Eles lança, todo o corpo como uma mola.
É a morte. É o vazio.
Vácuo.
Sufoco.
Ouço o pulsar do resto do meu sangue na aorta. Não consigo gritar. Tudo se fecha. Tudo.
Mal consigo respirar.
Que é feito dele? Morreu?
Todo eu agonizo. Imagino-o cair em cada fracção de segundos. Vejo o corpo abandonar-se. Vejo o sangue no chão. Vejo-lhe a sua morte. E deixo de ver...

Sunday, June 19, 2011

O Arco-Íris está na Rua - Rainbow is on the Street

Manifesto da Marcha do Orgulho LGBT 2011 de Lisboa

As Marchas do Orgulho LGBT - Lésbico, Gay, Bissexual e Transgénero - acontecem para lembrar o dia 28 de Junho de 1969, data em que, na cidade de Nova Iorque (EUA), no bar Stonewall Inn, homossexuais e transsexuais resistiram colectiva e expressivamente às habituais rusgas policiais, à discriminação e à violência. As mudanças não acontecem “por si”, somos nós que as fazemos e o mês de Junho comemora em todo o mundo as mudanças que vamos tornando possíveis em prol dos direitos das pessoas LGBT, em prol dos direitos humanos, em prol de todas e todos nós.

Vivemos tempos difíceis em que conquistas sociais são hoje colocadas em causa e sabemos que entre as mais afectadas estão também pessoas LGBT, com dificuldades acrescidas na relação com o mercado de trabalho, no direito à habitação, à educação ou a uma saúde condigna. A crise toca-nos a todas e a todos mas poderá também constituir uma oportunidade para um novo tempo em que a Liberdade, a Igualdade e a Solidariedade sejam fundadoras de todas as medidas e a economia seja posta ao serviço do bem-estar das populações.

Liberdade – Liberdade para pensar, agir, amar e sair à rua em comemoração do orgulho pela diferença, das conquistas alcançadas, do ideal de um espaço público que reflicta toda a nossa diversidade.

Liberdade para que possamos construir e afirmar as nossas identidades, viver os nossos amores, a nossa sexualidade, sem papéis e regras definidos e impostos por outrem.

Sabemos hoje que o processo de construção de identidades é variável, que a orientação sexual nem sempre é constante, e que estão longe de corresponder à simplicidade dos binómios homem/mulher, heterossexual/homossexual. E por isso faremos da rua palco de celebração da diversidade dos nossos amores.

Estaremos na rua sempre que for preciso e enquanto for preciso para lembrar que pessoas LGBT vêem as suas vidas destruídas pelo ódio, pela discriminação, pelo desconhecimento, muitas vezes num silêncio imposto pelo medo, pela solidão ou pela vergonha.

As escolas, a par de outros agentes com responsabilidades na educação e formação, são locais fundamentais para aprender a respeitarmo-nos mutuamente, a viver e construir em conjunto, a termos como princípios basilares da nossa acção os direitos humanos, a igualdade de género, a diversidade de modelos familiares e de relações interpessoais. São-no também para a vivência responsável e informada da sexualidade, para uma saúde sexual e reprodutiva plena. Dizemos não à discriminação, ao preconceito e ao bullying homo/bi/transfóbico, que trazem graves repercussões para o bem-estar físico e psicológico, bem como para o aproveitamento escolar, da população jovem, em especial das e dos jovens LGBT.

Igualdade – Igualdade sem ambiguidades, nem hierarquia de prioridades: apenas a igualdade plena na lei salvaguarda os mesmos direitos e deveres de cidadania, e contribui para o fim dos estereótipos, das discriminações, da violência. Igualdade na lei e nas práticas, nos direitos e nas oportunidades para todas as pessoas, em todos os momentos da sua vida.

Igualdade na lei das famílias de pessoas LGBT, com uma legislação que reconheça e proteja as crianças que existem nessas relações. O direito das crianças serem adoptadas por pessoas capazes de lhes proporcionarem condições para uma vida digna não se coaduna com a actual discriminação na lei que impede casais de pessoas do mesmo sexo de se candidatarem à adopção. Ou ainda a impossibilidade de um casal de lésbicas ou de uma mulher sozinha, independentemente da sua orientação sexual, recorrerem a técnicas de procriação medicamente assistida. Estas famílias já existem e as leis têm de mudar no sentido da igualdade.

Sabemos também que as pessoas seniores, independentemente da sua orientação sexual, mas em particular as pessoas LGBT, são discriminadas devido à sua idade, aspecto e capacidades físicas, na sociedade, no trabalho, nas famílias e entre os seus pares.

A lei de identidade de género hoje em vigor em Portugal constituiu um passo muito importante no reconhecimento das pessoas transexuais e das suas identidades. Mas muito mais há a fazer: desde logo, a inclusão da categoria “identidade de género” em todas as provisões legais anti-discriminação, da Constituição ao Código Penal, passando pelo Código de Trabalho. E a absoluta igualdade das pessoas LGBT precisa ainda de muito trabalho de formação em áreas fundamentais como a saúde, a segurança, a justiça ou a área social. Também aqui queremos afirmar a absoluta igualdade das pessoas transexuais, transgénero e intersexuais e a sua capacidade para decidirem sobre as suas vidas e os seus corpos, e condenamos as tentativas de limitação da sua autonomia.

As pessoas LGBT não têm tido respostas adequadas às suas especificidades no que toca ao VIH/SIDA e a outras infecções sexualmente transmissíveis. Reconhecemos a necessidade e a capacidade das pessoas e das associações LGBT de, a partir da sua própria experiência e conhecimento da realidade, ajudar a encontrar soluções e formas de ter melhor sexo com menor risco.

Solidariedade – Solidariedade pois sabemos que as nossas lutas não existem só aqui, à nossa volta, e que a sociedade patriarcal que nos discrimina e agride está espalhada pelo mundo. Sabemos que as guerras, a fome, a miséria, o perigo de catástrofe ambiental, a desigualdade de género, a xenofobia, o racismo, a discriminação de pessoas com deficiência são realidades do mundo em que vivemos e que queremos mudar. Sabemos ainda que os direitos das pessoas LGBT ou das mulheres são por vezes utilizados como factor de superioridade de uma cultura sobre as outras, de uma suposta guerra de civilizações que só podemos recusar. Os direitos humanos não escolhem latitudes, governos, culturas ou línguas. Os direitos das pessoas LGBT não existem independentemente do seu direito à livre expressão, a uma educação de qualidade, a uma vida em paz.

Liberdade, Igualdade e Solidariedade porque são princípios dos mais elementares da espécie humana, onde todas e todos nos reconhecemos e porque são essas as cores da bandeira arco-íris que hoje levantamos.

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Manifesto of the LGBT Pride March 2011 Lisbon

The Pride LGBT - Lesbian, Gay, Bisexual and Transgender - happen to remember the day June 28, 1969, when the city of New York (USA), the Stonewall Inn, gay and transgender legal and withstood significantly the regular police raids, discrimination and violence. Change does not happen "by itself", that is we do and the month of June celebrates the world changes that will make possible for the rights of LGBT people in human rights, in favor of any and all of us .

We live in troubled times in which social achievements are now under challenge and we know that among the most LGBT people are also affected, with increased difficulties in relation to the labor market, the right to housing, education or a decent health. The crisis affects us all and all, but can also be an opportunity for a new era in which freedom, equality and solidarity are the founders of all the measures and the economy is put at the service of well-being of populations.

Freedom - Freedom to think, act, love and go out in celebration of pride in the difference of the achievements, the ideal of a public space that reflects all our diversity.

Freedom for us to build and affirm our identities, to live our love, our sexuality without roles and rules defined and enforced by others.

We now know that the process of identity construction is variable, that sexual orientation is not always constant, and that falls far short of the simplicity of the binomial man / woman, heterosexual / homosexual. And why do the street scene of celebration of the diversity of our love.

We will be in the street when needed and as long as it takes to remember that LGBT people see their lives destroyed by hatred, discrimination, through ignorance, often in silence imposed by fear, loneliness or shame.

Schools, along with other staff with responsibilities in education and training, are key sites for learning to respeitarmo one another, to live and build together, the terms and basic principles of our action human rights, gender equality, diversity of families and relationships. They are also responsible for the experience of sexuality and informed for a full sexual and reproductive health. Say no to discrimination, prejudice and bullying homo / bi / transphobic, bringing serious consequences for the physical well-being and psychological as well as academic outcomes, youth population, especially young people and LGBT.

Equality - Equality unambiguous, no hierarchy of priorities: only full equality in the law safeguarding the rights and duties of citizenship, and contributes to the end of stereotypes, discrimination, violence. Equality in law and practice, the rights and opportunities for all people, at all times of your life.

Equality in the law of the families of LGBT people, with a legislation that recognizes and protects children who are in these relationships. The right of children to be adopted by people who can provide them conditions for a dignified life is not consistent with the current law that prevents discrimination in pairs of same-sex couples to apply for adoption. Or the impossibility of a lesbian couple or a single woman, regardless of their sexual orientation, using techniques of medically assisted procreation. These families already exist and the laws must change towards equality.

We also know that seniors, regardless of their sexual orientation, but in particular LGBT people are discriminated against because of their age, appearance and physical abilities, in society, at work, in families and among their peers.

The law of gender identity now in force in Portugal was a very important step in the recognition of transsexuals and their identities. But much more can be done: firstly, adding the category "gender identity" in all anti-discrimination legal provisions of the Constitution of the Penal Code, through the Labour Code. And the absolute equality of LGBT people still need a lot of work training in key areas such as health, security, fairness or social area. Here too, we affirm the absolute equality of transgender people, transgender and intersex and their ability to decide about their lives and their bodies, and we condemn the attempts to limit their autonomy.

LGBT people have not had adequate responses to their specific with regard to HIV / AIDS and other sexually transmitted infections. We recognize the need and ability of individuals and associations LGBT, from their own experience and knowledge of reality, to help find solutions and ways to have better sex with less risk.

Solidarity - Solidarity for we know that our struggles are not only here, around us, and that the patriarchal society that discriminates against us and attacks throughout the world is. We know that wars, famine, poverty, the danger of environmental catastrophe, gender inequality, xenophobia, racism, discrimination against persons with disabilities are realities of the world we live in and we want to change. We know also that the rights of LGBT people and women are sometimes used as a factor of superiority of one culture upon another, of a supposed war of civilizations that we can only refuse. Human rights are not choose latitudes, governments, cultures or languages. The rights of LGBT people do not exist independently of their right to free expression, quality education, a life in peace.

Liberty, Equality and Solidarity because they are the most basic principles of the human species, where all and we all recognize, and because these are the colors of the rainbow flag that now stand.

Tuesday, June 14, 2011

Carta a Alfred Douglas III


Babbacombe Cliff
[Fevereiro de 1893?]

Meu muito querido Bosie,
Escrevi ao teu criado e não recebi ainda uma resposta sua, o que resulta no mais fastidioso, já que as coisas têm errado as suas cores sem claridade que as ilumine. Estás a estudar? Assim o espero. Procura um bom explicador.
Eu sou bastante infeliz quando não posso escrever - não sei poquê. Tudo está errado. Tens estado a escrever sonetos deliciosos? Nunca recebi o The Spirit Lamp nem jamais um cheque. O meu custo pelo soneto é de 300£. Mas que é que será neste planeta o editor? Deve estar tarifado. Ouvi dizer que está escondido em Salisbury.
Com o maior amor, sempre teu.

Oscar

Sunday, June 05, 2011

Já Fui Pecado


já fui puro e não gostei
gastei o tempo a tentar
aguentar tudo o que diziam
ser-me pecado

já fui de alguém e fugi
que me não quero prender
e viver antes quero
no pecado

já fui buscador de ser
mais limpo que a cal
antes de me questionar
acerca do pecado

já fui mil vidas de santos
e em nenhuma me achei
parecendo ver-me apenas
com pecados

já fui isto e aquilo
muito busquei sem valor
e noutras coisas senti nadar
em pecado

até me questionar deste tempo
de sombras afundado
num oceano de absurdos
que bem vistas as coisas
me não quero santo nem ateu
antes viver do que é meu
e ao ver que do pecado
pouco se tem de consensual
e pelos séculos tanto muda
mais dele não posso crer.