11-Set-06
Pensamento do dia: Finalmente o regresso.
Visto o meu fato de dominó negro
Que foi isto que via seguro?
Um jardim jardim inteiro de delícias maravilha a minha alma,
Entranha-se no meu ser, mais uma vez, uma irreprimível vontade de discar aquele número que a minha memória retém no telemóvel. Bem sei que voz vai atender e o que irá dizer; uma voz profunda vinda dos abismos, de tempos imortais, mas com todo o vigor da juventude. Pergunto-te se estás sozinho, ao que me respondes que estás na rua com imensa pressa. Sei que de nada irá adiantar insistir para entrares num café e ires ao WC. Para todos os efeitos estás com pressa.
Sei-o hoje com nítida certeza no espírito
Depois de a fúria e a ira terem passado, eis que uma vontade de fugir me assalta. Sinto-me ser perseguido neste lugar por pessoas que me não querem. O meu corpo mexe-se, agita-se dentro de uma carapaça apertada da qual não consigo sair. Assalta-me uma vontade de gritar, mas não sei que palavras dizer. Subo escadas e desço-as; volto a subi-las e outra vez a descer procurando acalmar a inquietação que me revolve as entranhas. Esqueço-me de que estou vivo sonhando ser um fantasma na mansão dos Canterville onde choro a minha rejeição. Pinto-me de vermelho para lembrar que tenho sangue uma vez que nem água nem fel escorrem de mim; refugio-me nos lençóis da minha masmorra esperando que de mim ninguém se lembre.
Ofusca-se o meu mundo pela recusa
A insónia assombra esta minha noite. Olho em redor e procuro nas sombras algo que me repouse. Nada. Acendo a luz. Levanto-me. Com pouca roupa vou à casa de banho e dispo-me completamente. Olho-me ao espelho. Não tenho qualquer emoção. Atiro com três rosas vermelhas para o lixo; alguém, me amava. Olho a minha cara no espelho. Amanhã sei que terei umas terríveis olheiras da minha incapacidade de repousar. Volto ao meu quarto e deito-me. Nu. Sinto sobre a pele aquela estranha sensação de nos sentirmos sem roupa, de estarmos desprotegidos mesmo no verão. Volto a levantar-me e vou até à casa de banho buscar a roupa interior que lá deixei. Desta vez não me sinto inexpressivo; o meu sexo estremece como que a buscar a minha mão para o acariciar. Pelo na minha roupa e num ápice meto-me no quarto. Apesar de a minha casa estar vazia sinto que alguém vai aparecer e apanhar-me assim, nu. Deito-me de novo na cama e respiro calmamente. O meu corpo pede um pouco de prazer ao que eu tento reprimir.
Recorda-me sempre de mim
Mira-se o fim com um copo de aspirina na mão, uma dúzia de varizes e uma constipação para ajudar. Há três dias que não ouço o som da tua voz e isso deixa-me enfermo. Não como, não durmo, trabalho até a cabeça estourar, fico noites inteiras numa constante insónia, adormeço ao som de panfletos cartazes e anúncios, perco peso.
Estou no bar do costume à espera dele. Nada é que habituado não esteja. Sento-me, olho as horas e penso no tempo que posso dedicar à sua espera. Os minutos passam e isso parece não acontecer. Passa um pouco o tempo e viro mais uma folha do livro que leio, nesse capítulo que está prestes a acabar. Ele não vem. Uma espera interminável, um desespero constante. À leitura retoma o meu pensamento. Esqueço o motivo pelo qual ali estou à espera. A certo momento sinto que não estou a fazer mais nada ali. As minhas engrenagens de miosina deslizam para que possa ir pagar e sair.
Às vezes penso que escrevo sempre o mesmo. Arrumo meia dúzia de palavras e misturo-as de modo diferente. Penso mil coisas e o que passo não passa do mesmo; não se pode ser perfeito.
Um caminho tortuoso
Corpo escultural
Toda uma vida espera desespera
Preguiça em escrever, farto de ler, penetro cada vez mais fundo nesta minha clausura. Procuro algo que, nesta minha profunda solidão, não encontro e que fugazmente vislumbro em pequenos momentos ao telefone.
Acordo no inicio da noie com o corpo a doer-me. Os olhos a lantejar. Não consigo respirar. Temo escoar-se de mim a vida. A minha cabeça trabalha a mil à hora. Parece que mais cedo enlouqueceria que o ténue fio que me prende a este mundo seja cortado.
Rasguei os teus elos para que te fodesses, oh amor!!!
Arriam-se bandeiras, espalha-se a peste
A vida em mim é um peso comprimido
Nada mais tenho a dizer
Hoje tudo me sabe a fel